terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Capítulo 9. Changes


Noodle e Murdoc estão presos no inferno há anos. Para eles, parecem séculos. A pele verde do satanista ficara escurecida e enrugada, por isso, ele passara a usar uma capa preta e um respirador, para que ninguém possa identificá-lo. Por pura ironia do destino, e involuntariamente, ele se transformou no Boogie man.
Noodle, por sua vez, sofrera tanto, que sua pele começara a ceder. Conforme ela andava, bolhas de sangue se formavam em seu corpo. Murdoc, vendo a situação de sua amiga,ajudou-a a moldar seu corpo em metal, para poder sobreviver sem ter danos profundos e internos. A garota adaptou também uma arma ao canto interno de sua boca, e ficou viciada em armas e equipamentos de destruição.
Satã adorava as versões que fizera dos dois integrantes da banda de uma versão alternativa do mundo.
Boogie man... Cyborg Noodle... bem-vindos à vida.
- M-muito e-e-ngraça-a-do – Murdoc falava pelo respiradouro.
- E quando voltaremos para a banda? – o sorriso maligno da Noodle mecânica era o mesmo.
-Não voltarão para a banda. Murdoc me pediu para aprisioná-los aqui para sempre.
- O que? AQUELE FILHO DA PUTA NÃO PODE NOS MANTER AQUI!
Mas EU posso. – Satã riu – Mas adoraria ver o babaca do Niccals encontrando vocês dois. – Ele parou de falar e pensou por um tempo. – Que tal fazer um trato com vocês?
- Q-q-q-que T-t-t-tipo deee-eee-ee-e tratoo-o? – Murdoc falava com dificuldade.
- Estou interessada nisso. Que tipo de trato? – A garota cyborg aproximou-se, tocando um dos chifres do demônio.
Simples, minha querida. A banda está indo para Plastic Beach. Estamos no ano de 2010. Eu quero que vocês vão para lá e os encontrem. Façam da vida do Niccals um inferno na terra. Ele merece. Tem usado o poder que concedi a ele pela alma de vocês muito mal... Até demais.
- Então, podemos ir? – A garota falou.
- Podem. – a passagem do inferno se abriu, e uma escada para o topo surgira. –Cheguem lá o mais rápido possível.
E sem trocar mais nenhuma palavra com o diabo, os dois saíram do inferno. Murdoc tirou a máscara. Seu rosto seco e com seus olhos saltados estava horrível, mas ele precisava respirar aquele ar puro novamente, sem o maldito cheiro de enxofre e fuligem. Sentia falta do Mundo, da banda... Do faceache....
Como será que aquele palerma está?” o satanista pensou.
- Vamos, Sr. Boogie man? – a garota o ironizou.
- Vamos, sucata velha – Murdoc riu, entrelaçando seus dedos, que mais pareciam ossos, nos dedos de metal da garota-robô.
Os dois subiram pelo elevador do bunker entrance, alcançando a garagem, agora vazia. Noodle vira uma brecha por uma das paredes da garagem, e puxou Murdoc consigo. Ela achou o Jeep preso em meio ao lixo.
Alguns zumbis surgiram perto deles, mas ela conseguiu acertá-los com sua arma bucal. Murdoc retirou o resto do carro dos escombros e do lixo. Em menos de uma hora, Cyborg o colocou em condições básicas para o uso. Ela achou um bote velho no lixo e o colocou no carro, um meio de transporte útil para alcançarem Plastic.
Correndo a toda velocidade pelas estradas, ela mal olhava para Boogie man, que tentava recolocar sua máscara.
- Por que vai colocar isso novamente? – ela perguntou, com uma voz neutra e calma.
- Porque, já basta a Noodle ver a cópia perfeita dela, Murdoc não precisa ver seu clone destruído e malsucedido.
- Não exagere, Niccals! Entraremos e sairemos como quem somos.
- É, você está certa. Somos Boogie man e Cyborg Noodle. É assim que entraremos, é esse quem somos, e assumiremos essa identidade. Aceite isso, Noodle.
Sem trocar mais uma palavra, os dois seguiram viagem até o meio do nada. Uma estrada deserta, debaixo de um sol escaldante.
- Oh, Stylo.... – Cyborg cantarolava.
- Posso ver as marcas dos pneus na estrada. Estamos perto do local em que teremos de cair na água.
- É ali. – A robô acionou os freios do Jeep, e os dois saíram andando, com o bote nas mãos.
Observando a distância do precipício até o mar, os dois se assustaram.
- Eu posso pousar tranquilamente. – Murdoc falava abafado pela máscara, mas agora, sem problemas para respirar. – Mas você corre o risco de quebrar o barco pelo peso do metal.
- Eu desço pelas pedras. Coloque o barco na água e me espere. Posso enferrujar ao toque do meu corpo de metal na água.
Ele a obedeceu. Pousou tranquilamente na água, o barco boiando tranquilo. Ela demorou uns vinte minutos descendo calmamente as pedras. Pousando no barco, ela acionou o motor e os dois seguiram o fim da última parte da viagem até Plastic Beach.
Conforme a terra afastava-se da vista deles, uma estranha areia rosa se aproximava.
- Plastic está logo ali. – Murdoc baixou a cabeça.
- Então, vamos entrar pela porta da frente – a robô lançou um sorriso sarcástico.
- Noodle, me desculpe, mas não vou entrar em Plastic. Prefiro ficar longe de todas as pessoas e, especialmente...
- Do Sr. Stuart, eu sei. – ela sentiu uma estranha coisa que não tinha há tempos: um aperto no peito. Ela pensava em 2D, mas não falava seu nome. Agora, ao sentir cada letra brincando por seus lábios de titânio, ela sentiu novamente: a dor da saudade, a dor de ter perdido seu maior amor.
- Você também deveria ficar do lado de fora. Evite sofrer mais, pequena. – Murdoc tocou o ombro dela, mas Noodle se desvencilhou.
- Não, Murdoc. Eu vou entrar. Já sofri demais. Duas vezes no inferno, lembra?Não preciso de piedade. Preciso é voltar pra atmosfera da banda.
Ele não a respondeu. “Não posso lutar contra a vontade dela, afinal.” Apenas pensou. Eles atracaram em Plastic, e estranhamente, Russel não estava no oceano.
- Vou ficar no Pier, se não se importa. – Boogie man deixou-a na porta de Plastic, com medo do que aguardava a garota.
Ela bateu na porta com um revólver, brincando com ele por seus dedos. A maçaneta de ferro foi girada, e uma figura estranha para ela abriu a porta. Uma mulher de longos cabelos negros, batom preto e calça jeans rasgada a encarava por debaixo dos óculos escuros e redondos. O corset preto que ela usava aumentava o volume de seus seios, cheios de silicone. Ela usava luvas sem dedos e tinha um revólver na mão também.
- Quem é você? – A robô lhe apontou o revólver, recebendo um revólver contra seu rosto também.
A garota sorriu de lado. Puxou sua cruz invertida de dentro do corset e brincou com ela pelos dedos da mão livre. Puxou seus óculos do rosto. Um choque para a Cyborg. Ela sabia quem era aquela maldita gótica. Seus olhos verdes e puxados não a enganariam.
- Sou a Noodle, e quem é você? Uma cópia malfeita minha – a garota riu.
- Sou a Cyborg Noodle, e vim substituir você.

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