terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Capítulo 15. O passado é o presente?


Noodle abrira os olhos e não acreditara no que estava vendo. Sua visão, ainda um pouco turva pela escuridão do lugar, não era capaz de enganá-la. 2D estava sobre seu corpo, tocando suavemente seu rosto.
- Noodle, o que houve? Você está tendo um pesadelo? – Ele acariciava a bochecha da garota, que sorriu ao finalmente compreender onde estava: No quarto de Stu, no Kong Studios.
- Ah Stu! Eu estou bem! Você está bem! – ela abraçou-o, fazendo o rapaz ficar confuso – O que está acontecendo? Eu não ia morrer?
- M-morrer? – ele balbuciou – Noodle, querida, sei que está preocupada com a gravação de El mañana, mas não vai acontecer nada demais!
- El mañana? Em que ano nós estamos, Stu?
- Em 2006, Noodle. – ele suspirou -Querida, você está bem? Você estava gritando dormindo, não sabe em que ano estamos... Acho melhor falar com o Murdoc para cancelar a gravação do vídeo.
- Não! – ela gritou – Eu não quero que cancelem. Ficar aqui com você me acalma, Stu. – ela sorriu - Mas preciso falar com o Murdoc. Onde ele está?
- No carpark Noodle, como sempre na Winnebago. – ele ajudou a garota a sentar-se na cama – E, quanto ao beijo que você me deu...
- Não se preocupe, Stu. Fiquei irritada com você, mas não vou forçá-lo a aceitar meus sentimentos.
Ela virou-se de costas, mas ele abraçou-a e virou-a de frente para si, ficando os dois ajoelhados na cama, um cruzar de olhares impenetrável.
- Noodle, você sabe que eu gosto de você. – ele sorria – Mas, por Deus! Você mal se tornou adulta! Que tipo de idiota eu sou pra me apaixonar por uma criança!?
- Não me chame assim, Stu – ela segurou uma lágrima – Eu também te amo, e odeio quando você deixa o Murdoc te tratar mal. Eu posso te fazer feliz, não precisa ser assim.Nada impede que sejamos felizes, por que você tem que ser assim?
- Noodle – um suspiro pesado escapava dos lábios do vocalista – Eu só fico com o Niccals porque eu não posso ter você. Eu tenho medo de te magoar, ferir seus sentimentos...
- Mas eu tenho medo do contrário – ela falou – Eu posso te magoar, e muito, Stuart.
- Não me importa. Eu me preocupo inteiramente é com você.
- Então, não se preoucupe, e nem pense em como será. Apenas sinta.
E, em uma fração de segundo, o beijo que Noodle tanto esperava acontecia. Ela sentia a língua dele percorrendo cada canto de sua boca, desvendando-a e descobrindo que, a antiga criança que havia ali, se tornara a mulher que ele esperava.
Por sua vez, Noodle mantinha sua mão direita agarrada ao cabelo dele, enquanto a outra deslizava pelo rosto do rapaz, com a barba por fazer. Cada parte do corpo dele a seduzia.
- Noodle, não seria melhor se nós...- ele sussurrou ofegante.
- Não Stu, - ela protestou – Eu preciso de você agora. Depois pode ser tarde demais.
- O que você quer dizer com isso? – Ele separou-se do beijo
- Preciso ir até o Murdoc. Mas antes, preciso ter meu momento com você.
Ela puxou-o novamente para outro beijo, dessa vez, sem interrupções.
Sua primeira vez tinha que ser com ele. E tinha de ser naquele exato momento.
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Deitada sobre o corpo de Stu, Noodle sorria, recuperando seu fôlego. O vocalista passava as mãos pelas costas dela, meio incerto do que havia acabado de acontecer.
- Eu vou pro inferno por ter feito isso – ele falou.
- Nem brinca! Eu que vou pro inferno no seu lugar! – ela sorriu, mas não queria nem chegar perto do lugar citado.
- Por que? Eu que aceitei tudo isso!
- Mas eu te provoquei, Stu. – ela se enrolou no lençol e fez chifrinhos com os dedos – sou um demoniozinho, que veio te provocar
- Você pode ser um demônio, mas tem o gosto do paraíso para mim. – ele ria da brincadeira, e sentou-se abraçando-a de costas.
Don’t get lost in heaven...- ela cantarolou, mas rapidamente, mudou de assunto – Eu tenho medo de que tudo isso seja apenas um sonho ou alucinação minha, Stu.
- Tem a ver com a conversa que você ia ter com o Murdoc?
- MURDOC?!- ela saltou seus olhos verdes – QUE HORAS SÃO?
- Três da manhã, por que? –ele voltara a sua confusão habitual.
- Tenho que ir falar com o Murdoc agora! Eu volto logo, Stu. – ela sorriu – Descanse enquanto isso.
- Não quer que eu vá com você?
- Não! – “É perigoso demais você ir comigo” ela pensou.
Dando um selinho no vocalista, ela se vestiu e saiu correndo do quarto dele para o carpark. Alcançou a Winnebago, que estava com a porta aberta. Cortez estava ali, dormindo no sofá calmamente. Estranho, na memória de Noodle, ele já havia desaparecido,mas isso não importava agora.Murdoc havia saído. “Hora de ir para o Hell Hole, novamente” pensou.
Dirigindo-se calmamente para o bunker entrance, a garota tentava entender o que acontecia. Horas atrás estava morrendo, com um machado atravessado em seu corpo. Agora, está viva, sentindo-se finalmente uma mulher, e a caminho do inferno, PELA TERCEIRA VEZ EM MENOS DE UMA SEMANA!
Chegando no Hell Hole, ela encontrou Murdoc parado em frente ao Hell Hole, como se esperasse alguém.
- MURDOC APHONCE NICCALS, NÃO OUSE FAZER PACTO ALGUM COM SATÃ!
- Noodle – ele olhou para trás, confuso. – Você está viva! Graças a Deus! – ele abraçou a garota.
- Claro que estou viva! Eu... – ela parou – Você! É VOCÊ! Murdoc-kun!
- Você não morreu! – ele balbuciou – Eu vi aquela gótica de merda te enfiar um machado na barriga e... Depois disso, minha visão ficou turva e acordei no Winnebago– ele tremeu com a visão – Mas você está viva! Em que ano estamos?
- 2006. El mañana. Seu pacto para trazer os zumbis... – ela olhou os pés. – você não vai fazê-lo,certo?
- TÁ FUMANDO, GAROTA? EU QUASE MORRI DUAS VEZES, JÁ! NEM FUDENDO MUITO EU TRAGO ZUMBIS PRA TERRA NOVAMENTE.
Bom ver que aprendeu a lição, Niccals. – uma voz ecoou atrás dos dois. Ao se virarem, encontraram um homem de terno, cabelos escuros e um sorriso sedutor olhando-os – Acho que vocês merecem essa segunda chance de viver bem e normalmente. Que tal?
- Satã? – Murdoc parecia incrédulo – Por que isso? Por que nos enviou novamente para 2006?
Por que vocês fizeram escolhas erradas nessa época.Você fez do seu mascote o Evangelist, para poder trazer os zumbis a terra. Usou Noodle para pagar por seus pactos passados. Você deve assumir seus erros, Niccals. – Satã usava uma voz estranhamente atraente e assustadora com eles.
- E, se eu aceitar ficar no lugar dele e ele não trouxer os zumbis dessa vez?
– Você sofreria tudo isso novamente por causa dele, Noodle?
- Não só por ele, Satã, mas por todos nós. Quero minha vida normal, como ela foi até 2012, quando os zumbis vieram até nós.
– Então, se é isso que você quer, é isso que você terá. Em El mañana, um garoto lhe procurará. Você virá para cá, junto com ele. Ficará quatro anos aqui, trancada comigo e os demônios desse lugar. Acha que aguenta isso, garota?
- Tenho certeza que aguento. Já não passei por isso outras vezes?
Você está certa. Então, até cinco dias Noodle. Até a morte, Niccals!
Ao ver Satã desaparecer e o Hell Hole se fechar, Murdoc saiu do transe em que estava ao ver a conversa entre Noodle e o Diabo.
- Por que você fez isso, sua louca? – ele sacudia a garota – Quer ser sadomasoquista? Tem jeitos mais fáceis de sofrer do que isso e...
- Não é isso, Niccals. Ele está certo. “Todos merecemos uma segunda chance.”Dessa vez, eu pedi para ir no seu lugar, afinal, o que é a Gorillaz sem Lamas, hein? – ela sorriu – E também, temos dois visitantes novos e irritados: Cyborg Noodle e Boogie Man. Será que eles ainda existirão?
E, deixando todas as dúvidas para o futuro, Noodle aproveitara seus cinco dias com 2D. Murdoc sabia que aquele era o destino, não tinha como mudar isso. Noodle fazia questão de lembrar-lhe que, algum dia, algo melhor surgiria.
E desse modo, a vida seguiu, até o momento em que Noodle cai do moinho de vento e encontra um estranho menino, que arrasta-a para o inferno.

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