Noodle não sabia o que dizer. Ela sabia que seu namorado era um satanista bizarro, cruel e pervertido. Ela nunca soube dizer se o que realmente sentia por ele era amor, mas, ao ouvir tudo o que a Cyborg, amarrada e sentada a sua frente dissera, ela deixara suas dúvidas para trás e passara a abominar qualquer ideia de amar aquele homem.
- Não venha me falar sobre o que sou ou deixo de ser, Cyborg! E não disse que você é a vilã, mas a chegada de vocês prejudica a todos nós, especialmente a banda.
- O que? - Boogie Man falou acordando – O que está acontecendo? Cadê minha máscara e... – a garota gótica amordaçara o homem antes que ele interferisse mais no assunto delas.
- A banda? ESSA BANDA NÃO ERA PARA SER ASSIM! Na minha realidade, éramos normais, sem essa idiotice de satanismo exagerado e culto ao Murdoc. Isso é ridículo da parte de vocês! Então, não venha me dizer que essa banda é tudo para você SE NEM CUIDAR DELA VOCÊ CUIDA!
- Cala essa boca! – ela deu um tapa na Cyborg – Você acha que tem direito de falar algo sobre nós? O que te faz tão melhor assim? Você não é nada!
- Posso não ser nada para você, mas sou algo para o Stu... – a Cyborg pegara o ponto fraco de Noodle.
- VOCÊ NÃO É NADA PARA ELE – a garota gritou – ACHA QUE ELE SE IMPORTA? QUE ELE TE AMA? ELE TEM QUE ME AMAR! EU SEMPRE FIQUEI COM ELE!
- Sexo e amor são coisas diferentes, Noodle. – Noodle riu – Você não deve lembrar, mas já me conhecia antes de hoje. Puxe na sua memória: uma estranha garota igual a você, só que mais velha te visitando... Um Murdoc mais velho! Nessa época, 2D se apaixonou por mim, e esperava que, quando você crescesse, se tornasse a garota que ele conheceu, mas olhe para você – ela fez um silêncio reprovador - Realmente acha que esses peitos do tamanho de bolas de boliche e essa pose de femme fatale é que ganham ele? Se enganou!
- E o que ganhou ele? Sua pele metálica, querida? – a mais nova parou pensativa – E você está falando loucuras! Aquilo foi tudo um sonho e você não era uma robô e...
- Realmente acredita que foi um sonho, Noodle? Se foi, como eu sei e o que eu faço aqui? Pelo que eu saiba, você nunca comentou disso com ninguém!
Murdoc gemia amarrado na poltrona, protestando contra a conversa das duas. Elesabia como aquilo iria terminar.
- Como você?...
- Não sei. – Cyborg estava mais surpresa que ela. – Nossa ligação! Ela está voltando... Quer dizer que, voltaremos a ser uma só?
- NÃO! VOCÊ NÃO PODE VIR PARA O MEU CORPO! E EU NÃO QUERO IR PARA O SEU! – A garota chorava com medo – EU NÃO QUERO SER COMO VOCÊ!
A mais nova procurou alguma coisa que pudesse usar como arma contra a robô. Não queria usar suas pistolas, ela queria algo mais violento e menos rápido.
- Você não é nada! É só um demônio! Você vai sair da minha vida agora! – Noodle chorava, enquanto corria até a sala ao lado, o estúdio da banda, e voltava com um machado, que estava jogado no chão com sangue seco, empunhado nas mãos. - Você morre aqui e agora, sua vadia, idiota! –ela olhava Noodle com medo, ódio e incerteza.
- VOCÊ ESTÁ LOUCA? E SE VOCÊ ACABAR MORRENDO COMIGO?
- PELO MENOS VOCÊ NÃO ESTARÁ POR PERTO E COM AQUELES QUE EU AMO!
- COM O STU? O CORTEZ? SE VOCÊ AMA, POR QUE VOCÊ MALTRATA!?
- POR QUE O MURDOC ME CRIOU ASSIM! – ela chorava mais intensamente. – ele me fez temê-lo. Me criou para ser sua mulher ideal. Eu aprendi a ser assim e gostar, mas não queria que o Stu e o Cortez fossem assim como nós! Eles sempre foram tão bons comigo! – ela soluçava muito entre as palavras – Eu os maltratei e cuidei mal deles por medo de, tratando-os bem, Murdoc os transformasse no que eu sou! Ou pior, se livrasse deles! Não posso viver sem eles E VOCÊ NÃO VAI TIRÁ-LOS DE MIM!
-NOODLE! – Cyborg berrou – eu não sou inteiramente robô. Eu sou humana por dentro. Vai realmente matar alguém por sua infantilidade e estupidez?
- Se for pra preservar minha vida, eu faço isso! E você não é humana! Pare de tentar se enganar e me enganar!
Enquanto a versão gótica puxava o machado para trás do corpo, a versão robótica fechava os olhos e pressionava os lábios, imaginando a dor do impacto que sentiria. ”Não posso ter raiva dela,” pensava, enquanto ouvia o ar vindo em sua direção, trazido pelo machado “Eu faria a mesma coisa no lugar dela” ela sentia a conexão entre as duas e os sentimentos de ambas mais fortes.
No exato momento em que o machado golpeou o abdômen da Cyborg, a porta do elevador abriu, com um 2D e um Cortez desesperados ao ver a cena. Noodle se afastara ao ver sangue e óleo jorrando do corpo de sua cópia. Ela podia sentir a dor junto a sua gêmea, mas não morreria junto com ela.
Cyborg abriu os olhos ao ouvir a voz de Stuart chamando seu nome. Ela começava a ver tudo embaçado, mas o rosto dele aproximou-se do dela. Ele dava leves tapas nas suas bochechas, tentando reanimá-la em vão.
- Eu te amo – ele sussurrou contra seu rosto – Não me deixe, pequena. – 2D parecia desesperado.
Cortez desamarrava Murdoc, mas Noodle não podia vê-los, até que os dois entraram em sua frente, atrás de 2D. Ela os olhou e simplesmente sorriu, fechando os olhos para seus três amores.
- Noodle! – Ela ouvia Stu chamando seu nome – Noodle! Pequena, acorde! Acorde!
Ela não sentia forças para atender ao seu pedido, mas abriu os olhos uma última vez....
E se surpreendeu.
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