terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Capítulo 22. More than alive


- ELE LEVOU A NOSSA EMMA, BRIAN! – Kerli berrava, sentindo sua garganta arranhar com cada grito. – E É TUDO CULPA SUA! – ela se lançou em direção a Emilie, que se encolheu em um canto da parede, e Jimmy pôs-se entre as duas.
- Kel, não vai adiantar nada isso! – ele falou, segurando-a - Ele está com a criança, e descontar na Emilie só vai acabar com a sua raiva, nada mais! Se acalma e respira.
Syn estava em choque. Ele puxou Kerli para perto de seu corpo e, junto a ela, começou a chorar. Ele olhava Hayley ali, morta. Ele pensava na sua pequena filha, idêntica a ele, assustada com um homem louco que habitava o corpo de um de seus melhores amigos... Era informação demais, até para alguém que viva num mundo como o dele.
- Me desculpa... – Emilie sibilou baixo, encostada na parede, sem olhar para a amiga.
- N-não é sua culpa, Emilie! MAS QUE MERDA! – Brian gritou – O que ele fez com a minha filha, meu Deus!
- Alguém ai é vidente pra saber? – Johnny indagou.
- Cala a boca, Johnny! – Zacky respondeu – O problema aqui é outro: não podemos mais fugir. Temos que ir atrás do Matt
- Andrea – Emilie corrigiu.
- Foda-se o nome! Ele está com a minha filha, Emilie! – Kerli falou. – Ele está certo – ela apontou para Jimmy, a culpa não é sua, mas temos que achar o Andrea agora. Não posso ficar sem minha pequena, Lilie.
Emilie se aproximou da amiga e abraçou-a.
- A culpa é minha sim, Kerli. Você não era para ser assim. Nenhum de vocês deviam vir para cá. Todos acabaram aqui comigo. Eu fui egoísta o suficiente para não conseguir viver sozinha, e esconder vários segredos por anos...
- Emilie, - Kerli falava, tentando se recompor- Acalme-se. Agora, tudo está limpo e nós já sabemos de tudo, querida. Vamos passar por isso juntas.
- Nem de tudo, Kerli. – a ninfa afastou-se da súcubus, dando espaço para ela sentar-se no chão. – Vamos fechar esse lugar e sepultar a Hayley. Ela merece algo digno, não ficar largada nessa cama para que pirralhos a encontrem.
Zacky e Johnny pegaram o corpo de Hayley. Era perturbador ter que mexer no corpo dela, com os olhos abertos e fixos para cima. Parecia que ela os encarava com aquele sorriso macabro o tempo todo. Eles cruzaram os braços dela sobre o corpo, colocaram um pano preto sobre seu rosto e a enrolaram em um lençol branco. Jimmy, Zacky, Johnny e Syn levaram a garota para o lado de fora e cavaram, os quatro juntos, uma cova para ela.
Enquanto isso, Emilie e Kerli fechavam as portas do Instituto, com um peso enorme no coração. Nenhum dos seis trocava nenhuma palavra. Eles terminaram a cova, colocaram o corpo ali e se entreolharam, esperando quem começaria. Kerli, por conhecê-la a mais tempo, tomou a frente dos amigos.
- Minha pequena, você não podia ter ido assim. Matar uma criatura, qualquer que seja, é um pecado. Matar uma fada, uma das criaturas mais puras do mundo, é uma passagem para o inferno. Me desculpe por ter te envolvido nisso. Eu te amo, minha amiga boba.
Com um choro preso na garganta, ela voltou para o lado de Syn e Emilie se aproximou.
- Me desculpe envolvê-la nisso tudo – ela chorava baixo – Com certeza, você nem nenhum deles merecia. – ela respirou fundo – Espero que você descanse em paz, garota. Com certeza, você estará melhor longe de toda essa história.
Juntos, os quatro rapazes pronunciaram um “Descanse em paz, Hayley Williams” e começaram a sepultá-la. Emilie e Kerli vocalizaram em coro a marcha fúnebre, chorando abraçadas.
Após toda a terra jogada sobre o corpo, uma fina chuva começara a molhar os seis parados ali. Emilie começava a andar, com a intenção de pegar sua bolsa para começarem a caminhar, mas Kerli a parou.
- Conte o último segredo, Autumn – ela limitou-se a dizer.
- Kerli, é melhor não e...
- Fale logo! – os cinco falaram juntos para ela.
Sentindo suas lágrimas e a chuva se misturando, ela começou a falar.
- Kerli... Você lembra de que me contou de um período de amnésia que você teve?
- Aham, lembro. Por que? – Ela parecia feroz em sua fala.
- Por favor, me perdoe. E não fale nada, apenas escute.
Emilie tomara fôlego, e resolvera falar tudo de uma só vez.
- Lembra que eu disse que Andrea matou uma garota? Uma linda garota loira...
- E o que isso tem de novo, Emilie? Você já nos falou e... – Syn paralisou ao ligar os fatos.
- Ela não morreu, Gates! Na hora em que eu a coloquei no armário do hotel, Andrea não estava comigo. Eu, na verdade, deixei-a na cama, respirando fraca e secamente, e vi que ela estava se curando. Eu senti os poderes de cura emanando dela, então saí antes que ela despertasse. Eu sabia que ela não se lembraria de nada.
- E eu acordei da minha amnésia somente vestindo uma blusa e uma calcinha em um quarto de hotel. – Kerli estava chocada. – Quer dizer que...
- Isso mesmo. Você é a garota que Andrea não matou, e que eu também neguei-me a matar. Você merecia viver. Você é a menina que eu salvei secretamente, Kerli.
A chuva caia agora pesadamente, mas nenhum deles, já encharcados, se importava. A verdade ali era bem pior do que a água que caia e feria-os violentamente vinda do céu.

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