terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Capítulo 8. Don't forget me/Go to hell!


Noodle estava parada encarando a porta de Stuart. “Devo entrar? E se ele estiver acordado? O que falarei?” ela não sabia o que fazer, “E se ele estiver dormindo? Devo acordá-lo ou simplesmente observá-lo e sair sem me despedir?” seus pensamentos a deixavam mais nervosa e impaciente. Tentando afastá-los da mente, ela abriu uma fresta da porta e viu seu amado 2D dormindo, com uma expressão inquietante no rosto.
Agachando-se ao lado do vocalista, ela passou a mão no rosto dele, sentindo uma gota de suor frio escorrendo-lhe pelo rosto.
- Mais um de seus pesadelos. – ela sussurrava perto ao rosto do rapaz. Ao ver sua expressão suavizar-se um pouco, ela prosseguiu sua fala - Ah, Stu, como eu desejaria ficar mais aqui. Eu queria fazer com que você se apaixonasse por mim todos os dias, que me amasse, que pudéssemos ter nossa primeira vez. Que pena que eu não pude ter mais tempo como sua namorada.
Ele ainda tremia um pouco. Ela lembrou-se das constantes dores de cabeça do rapaz, companhias constantes dele. Tentando lembrar-se de algumas palavras, a garota começou a cantarolar.
I wish my life was this song, cause songs they never die. I could write for years and years, and never have to cry. I would show you how I feel, without saying a word, I could wrapped up both our hearts, I know it sounds absurd. – ela parou e sorriu – desculpe-me amor, mas esqueci o resto de sua letra. – ela encarou o relógio da mesa de cabeceira.– Preciso ir. Espero que você sempre se lembre desse momento. Meu Stu.
Ela se levantou e foi em direção à porta, porém, 2D despertou. Ele chamou o nome dela, que congelou no lugar, de costas para ele. Vendo que ela não atendia seu chamado, ele se aproximou dela, virando-a de frente para ele. O olhar dos dois se cruzou, no que pareceu uma eternidade.
- Querida, o que houve? – ele sorriu de lado, meio sonolento.
- N-nada. – ela falou, sentindo uma lágrima escorrendo pelo rosto. – Vim me despedir. Eu e o Old Murdoc estamos indo.
- E por isso você está chorando? Conte-me o que houve, pequena.
- Ah Stu... – ele envolveu-a em um abraço – Não posso te contar o que acontecerá comigo. Só posso te dizer que eu e a pequena Noodle não somos mais a mesma pessoa.
- C-como assim? – ele virou a cabeça para melhor encará-la.
- 2D, ao vir aqui, eu já alterei o passado. O futuro de todos vocês já foi alterado, e o meu, digo... O da Noodle também. Não somos mais a mesma pessoa. Então, não sei como será o futuro de vocês dois. Mas tenha certeza de que eu sempre te amarei. Eu te amo Stuart.
Ele puxou o rosto dela, beijando-a delicadamente. Ela não precisava do carinho dele, aquilo a feria. Noodle o puxou e tornou o beijo mais profundo, mais feroz. Ele agarrou a cintura dela, puxando-a mais para perto do corpo dele, somente de cueca. A garota agarrou os fios de cabelo azuis do rapaz e deu-lhe uma mordida pequena no canto dos lábios, deixando-os vermelhos e inchados. Ela sorriu.
- Eu te amo, Stu.
- Eu também, pequena.
“Não da mesma forma que eu te amo, querido” ela pensou.
E, sem ao menos se despedir, a garota saiu do quarto, deixando um 2D confuso.
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- Dá pra correr, garota? – Young Murdoc gritava para ela, quase acionando o elevador para o inferno.
- Ah, morre seu babaca! Vamos logo! – ela entrou no elevador, sendo estranhamente abraçada pelo Old Murdoc e tendo sua mão gentilmente apertada por Cortez. Os dois estavam preocupados com o que aconteceria em instantes.
Chegando ao local, os quatro encararam aquele maldito buraco, que parecia uma piscina de luz vermelha, alaranjada e amarela neon.
- E o que faremos agora? – Cortez perguntou.
- Esperamos dar 3:33. – Young Murdoc falou.
- Não é necessário – Noodle falou, aproximando-se mais do buraco no chão. – É só entrar. Nós três – ela apontou para os Murdoc’s.
- E eu?
- Cortez, isso não tem a ver com você. Fique aqui, por favor, e proteja a pequena Noodle. Nos vemos no futuro, sim?
- Com certeza, mi cariño. – ele deu um selinho na garota, e um longo abraço de despedida nela. Para seus dois “donos”, ele apenas acenou a cabeça, saindo em seguida do cômodo.
- E agora, o que faremos, idiotas? – Young Murdoc falou.
- C’mon, babies, lets get dead!
Ela deu um salto para o buraco, puxando Old Murdoc consigo. Curioso, Young Murdoc os seguira até o inferno.
Chamas. Calor. Sofrimento. Torturas. Dor. Agonia. O Mundo e seus sofrimentos não eram nada comparados ao inferno. Noodle sabia disso. Old Murdoc temia isso. Young Murdoc se divertia com isso.
- E então, será que tem um sininho pra chamar o capeta? – o mais novo falou fazendo careta ao ver o lugar em que aterrissaram vazio.
-Não, seu babaca. Ele sabe que estamos aqui. Olá, Satã.
- Noodle. – uma voz sussurrou. – Bem vinda novamente. E finalmente, Niccals.
- Eu não! – Young Murdoc protestou – Estou trocando as almas deles pela minha. Quero fazer meu primeiro pacto. Em troca, te dou a alma dos dois. Pelo que sei, elas devem valer alguma coisa para você. – ele riu.
Não falava com você Niccals, mas sim com o outro Murdoc. E quanto a sua proposta, ela é aceitável. Eu aceito os dois.
- Mas, temos nossa condição. – Old Murdoc falou, escondido atrás da garota.
Eu sei quais são suas condições. Podem deixar, Boogie Man e Cyborg, vocês terão sua chance, mas agora, vocês ficarão comigo.
Esperando Young Murdoc terminar de assinar seus pactos, que dessa vez, estendiam-se a problemas futuros, Noodle e Murdoc sofriam com as imagens que Satã lhes enviava mentalmente. A primeira parte de suas torturas.
Até El mañana, Niccals. - O ser de pele vermelha e longos chifres indicou uma escadaria para Murdoc, que dava para o Kong Studios novamente. – Vocês dois, venham comigo.
E sem esperar resposta ou reação, afinal, Satã não precisava pois era o dono daquelas almas; ele mandou dois pequenos demônios atrelarem grilhões aos pés de seus dois novos prisioneiros, cujas correntes foram entregues ao próprio Diabo.
– Hora da diversão, crianças. – a risada estridente do diabo ecoou naquela primeira ala do inferno, enquanto Murdoc e Noodle caíam no chão e eram por ele arrastados pelo chão até a próxima ala, o local de suas torturas.
Se isso é necessário para manter as pessoas que eu amo, eu aceito passar por tudo isso novamente.” Noodle pensou.
“Isso vai passar. Vai passar.” Murdoc repetia esse mantra mentalmente.
- Eu estou aqui, Niccals. – Noodle estendera a mão para ele, que aceitou de bom grado. – Vamos passar por isso juntos.
- E enquanto sentiam suas carnes queimando em contato com as pedras quentes e pontiagudas do inferno, os dois gritavam, mas mantinham as mãos juntas, tendo ciência um do sofrimento do outro, mas mostrando uma solidariedade mútua, e uma pequena resistência a todo aquele lugar.
- Pode não significar nada para você, - Murdoc falou enquanto sentia uma pedra penetrar seu braço – Mas eu gosto de você, mesmo. Sinto como se fosse minha família.
Noodle sorriu
- Eu também gosto de você, Niccals.
- Então, juntos? – ele falou.
- Até no inferno.

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