terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Capítulo 6. Kiss me if I'm right, you want me, no?


- Anda, anda! Temos que me encontrar! – Murdoc falou, empurrando Noodle pelo corredor até o lobby.
- hihihi...
- Tá rindo de que, garota?
- Você, querendo se encontrar... – ela continuou a rir baixinho – Parece aquela baboseira hippie que você odeia!
- Argh! – o satanista se sacudiu todo, sentindo um arrepio – Odeio isso! Vou parecer mais redundante do que nunca!
- Vamos andando, então? – Noodle lhe estendeu a mão, e ele passou o braço pelos ombros da garota.
- Não saia de perto de mim, entendeu? Aqui somos diferentes. Não sabemos qual será nossa reação ao nos vermos no passado.
Aceitando o abraço de Murdoc, Noodle permitiu que ele a guiasse até o lobby. Não havia ninguém ali, deserto, como se ainda estivesse vazio.
- Está vazio? – Noodle olhou para o rosto de Murdoc, que parecia amigável com ela, novamente.
- PENSE, PORRA! Nós ficávamos no lobby? Nós estávamos gravando o CD!
- Record Room! Vamos!
Livrando-se da mão de Murdoc, ela foi chamar o elevador. O velho toque “It’s coming up, It’s coming up, It’s there!” encheu seus ouvidos enquanto esperavam o elevador. Ao entrar no elevador, sua espera para alcançar o segundo andar não foi longa. A garota saiu em disparada do elevador, vendo de relance Murdoc se esforçar para acompanhá-la. “Ninguém mandou beber e fumar feito doido! Acaba nisso Murdoc-san! Hihi”
Na porta do Record Room, ambos ficaram apreensivos. Em um olhar cúmplice, puderam entender os sentimentos um do outro. O que seus passados achariam vendo sua versão no futuro? Como reagiriam ao dar uma boa olhada para si, como um espelho mostrando as conseqüências para suas ações?
Sem dar mais tempo para as inseguranças que pairavam naquele corredor, Murdoc abriu a porta, surpreendendo Noodle dedilhando os acordes de punk, 2D acompanhando-a cantando, Murdoc reclamando da ressaca e Russel, olhando para a porta, como se sentisse que os dois estavam ali esperando para entrar.
- QUE PORRA É ESSA? – O Murdoc mais novo falou – BEBI TANTO ASSIM? CARALHO! ESTOU ME VENDO MAIS FEIO E MAIS VELHO! PUTA QUE PARIU! É O CARMA! O CARMA É UMA VADIA! É A MORTE! A MORTE TÁ ME CHAMANDO E...
- Cala a boca, Murdoc! Eu estou vendo você também! E a baixinha mais velha! – Russel dera atenção agora a Noodle.
- Pequena? É você? Lamas? – 2D, com seus cabelos ainda roxos, olhava os dois – Mas o que está acontecendo aqui?
- Nanii? – Noodle mais nova falou – Noodle! – apontou para sua versão do futuro.
- Sim, sou eu! Sei que você me entende, pequena, mas não sabe responder. Não se preocupe, você aprenderá logo! – ela sorriu e foi até sua versão mais nova. A pequena lhe estendeu os braços e Noodle a agarrou. Os olhos verdes das duas se encontraram, e em um abraço, elas se entenderam. Com os dois Murdocs, foi diferente.
- ÁRA PORRA, EU NÃO VOU FICAR ASSIM NEM A PAU! E SEI COMO ME LIVRAR DISSO! – o mais novo riu, com um olho ainda cor-de-rosa que chamava a atenção.
- Mas foi por seus “meios” que nós ficamos assim! Eu e a Noodle, e todo mundo aqui está fodido porque você não conseguiu controlar seus demônios!
- Demônios? – Russel entortou a cabeça – Seu babaca!
- E como você acha que faremos sucesso, hein? Não somos nada!
- Errado, Young Niccals, - Noodle riu – No futuro, seremos famosos. Sabe quais foram nossos primeiros sucessos?
- Não importa! Só tenho meios de fazer isso acontecer mais rapidamente! Hahaha
- E de nos matar! Se você repetir seus pactos, vamos morrer, exatemente no dia 2/11.
- De que ano? – Murdoc e Noodle se entreolharam, mas não responderam – Então demorará.
- Nem tanto. Mais ou menos dez anos – Murdoc falou – Mas não podemos dizer de que ano somos. Isso afetaria o espaço/tempo.
- Ah, foda-se! Eu não fico mais aqui! – Murdoc mais novo saiu. Russel não sabia o que fazer, então ficou parado. Murdoc do futuro foi atrás de si mesmo, enquanto 2D acompanhou a Noodle mais velha até seu quarto.
- Acho que já conhece esse lugar. – ele abriu a porta do quarto para Noodle, e ela sorriu , ainda segurando sua versão do passado no colo – Por que a felicidade ? – Stu a indagou.
- Nada. – ela mentiu – Como Murdoc disse, não posso falar sobre o futuro.
Stu ficou ali parado, sem saber muito o que falar, como sempre. Ele observou Noodle embalar sua versão mais nova e colocá-la deitada. Depois disso, ela e Stu foram andando até o quarto do rapaz. Ela sorria ao ver Stu novo, com sua idade atual. Ela sentia tanta vontade de beijá-lo, mas não podia, pois ele não entenderia.
- Você pode ficar aqui, pequena. Você sempre foge pra cá quando está com medo ou sozinha, acho que isso não mudou. – ele riu, e ela não entendeu. – É estranho te chamar de pequena, vendo você com a minha idade, ou mais velha!
- Não sou mais velha do que você, Stuart! E isso não mudou, mas agora, durmo aqui, de um jeito diferente.
- Não vai me dizer que...
- Eu sei, você e o Murdoc se pegam. Você morre de dores de cabeça, mas aspirinas não adiantam. É como se tivesse muitas palavras embaralhadas na sua mente.
- Como você sabe disso?
- Porque você me contou, 2D! E porque essas palavras se revelarão quando você entender e descobrir quem você ama de verdade, querido!
- Então quer dizer que... Eu me apaixonei por você?
Noodle sentou-se na cama, e Stu a acompanhou. Sem jeito e com vergonha de falar que também havia se apaixonado por ele, ela fez algo mais prático: o beijou. Um beijo calmo, sincero e que se encaixava. Era o mesmo beijo do seu 2D do futuro; um beijo dela, pronto para ela.
- Por que? – ela falou depois do beijo – Seria difícil se apaixonar por mim?
- Er... – ele sorriu, sem jeito – Não, querida, mas eu serei tão mais velho quando você estiver assim...
- Então, já que você não acredita, por que não aproveitamos o agora? – ela o empurrou contra a cama, e sentiu as mãos dele fincadas em sua cintura – Se você não se apaixonar por mim depois, já teremos aproveitado,não?
No exato momento em que Stu se levantava para beijá-la novamente, um Murdoc abriu a porta. Noodle se recompôs e sentou-se vendo 2D tocar levemente seu joelho.
- Noodle, posso falar com você? – Murdoc do futuro, que abrira a porta, falou.
Ela se levantou e saiu do quarto, vendo Murdoc fechar a porta e começar seu discurso.
- Posso te pedir uma coisa? – ela já temia o pedido, mas não podia negar isso aquele que estava tentando salvá-los.
- Já sei o que é.
- Então, me deixe fazer isso.
Um pouco ansiosa, Noodle deixou-o passar. Sabia que Murdoc sentia falta de Stu, do seu Stu submisso. Ele queria uma última chance... Uma última lembrança da felicidade. Ser amado, para ele, significava algo. Especialmente, se fosse por 2D.
“Vá, Murdoc, tenha sua última chance de ser feliz.”
E assim, Murdoc entrou no quarto de 2D, para sua última noite juntos.

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