(POV Emily)
Mais um fim de namoro. Mais um babaca que eu deixo pra trás. Por que será que eu só saio com caras assim? Se bem que, vendo os exemplos de homem que eu tive (Hannibal, Murdoc e Jacob), dá pra entender. Ah, os homens! Sempre fudendo minha vida!
Tirei meus sapatos e comecei a caminhar pela rua. Pra minha felicidade, a chuva do segundo dilúvio está caindo, e eu estou sem guarda-chuva. Estou há uns minutos caminhando. Meu vestido, já encharcado, está encolhendo pela quantidade de água que estou pegando. Minha maquiagem está toda escorrida pelo rosto. Meu dia tem como ficar pior? Valeu ai, carma, sua vadia velha!
(Narradora)
Emily andava desengonçada pela rua: com uma mão segurava seus sapatos de salto alto; com a outra, segurava seu vestido, tentando impedi-lo de não subir mais. Ela parecia uma prostituta falida naquele momento. Do jeito que ela estava, afastava qualquer pessoa de perto.
"Que bom" pensava "Pra me chamarem de dragão tribufu dos infernos não deve estar faltando nada!"
E enquanto ela praguejava mentalmente, um rapaz de cabelos azuis atravessou a rua correndo, esbarrando em Emily e quase derrubando-a. Se ele não a segurasse em um abraço forte, ela estaria caida bem na saída de esgoto.
- VOCÊ NÃO OLHA POR ONDE ANDA? - ela berrou.
- D-desculpe - ele falou nervoso, ainda segurando-a pela cintura - Não queria machucar você e... - Ele deu uma boa olhada nela. - E pode voltar para o seu trabalho!
Ela não entendeu o por que do "voltar ao trabalho". Ela o puxou até a frente de uma vitrine e viu seu reflexo.
"Ah, meu Deus! Estou parecendo uma mistura de puta, travesti e drag queen mal comida!"
- Você entendeu errado, garoto. - ela sorriu nervosa. - Não sou uma puta de rua. Meu nome é Emily Rose Niccals.
- Eu sou Stuart. Stuart Tusspot - ele apertou a mão da mulher e parou pensando - Seu nome é de uma mulher que morreu exorcizada, que bizarro! Não deve atrair muitos clientes, né? Só góticos e...
- EU NÃO SOU UMA PUTA! -ela berrou, e as poucas pessoas que passavam na rua, pararam para encará-la, deixando-a com vergonha.
Stuart, de repente, começou a olhar para os lados, deixando Emily curiosa. Ele não parava quieto, deixando-a mais confusa ainda.
- O que foi? Você bebeu? Está tendo alucinações? Fumou alguma erva nova?- ela sacudia o rapaz para os lados.
- Não - ele ficou paralisado, olhando em uma direção. - Mas aquele cara - Emily olhou um homem de capuz do outro lado da rua -Está me seguindo faz horas! Me ajuda!
Ela olhou o homem. Era impossível ver seu rosto, mas Stuart estava aterrorizado com sua imagem.
- Venha comigo. Já que estou indo pra casa e não vou ter mais a bixa do meu ex por lá, você pode ficar pra dormir.
Ela puxava o rapaz, também encharcado de chuva, pelas ruas
- Stuart Tusspot, Stu Tuss, Art Pot... - ela brincava com o nome dele - Stu Pot...
- O que está fazendo? - ele encarou-a enquanto ela procurava as chaves.
- Abrindo a porta, não está vendo?
- Não, - ele balançou a cabeça - falando meu nome!
- Ah, - ela sorriu - tenho que achar um apelido pra você, não é? Odeio chamar as pessoas pelo nome! E eu gostei do último! Vai ser Stu Pot! - ela subia as escadas para o segundo andar, abrindo a porta de seu apartamento.
- Meio vazio, não? - Stu encarava o local. A sala tinha uma tv e um colchão. O quarto só tinha o armário. A cozinha tinha o básico: geladeira, fogão, pia e armários. O banheiro era minúsculo.
- É o que eu chamo de lar. - ela sorriu - e o que uma caixa de supermercado pode conseguir aqui em Londres!
- Sei como é! - ele passou a mão pelos cabelos molhados e sentou-se no chão com ela - Eu ainda moro com minha mãe, mas trabalho em uma loja de música.
- Ah, família... - Emily revirou os olhos - Se você soubesse como é a minha...
E nessa conversa, eles seguiram aquela noite de tempestade.
(POV perseguidor)
Não acredito! Aquele idiota foi embora com uma garota que ele encontrou por acaso na rua!
Parece que é sacanagem, não? CARMA, VOCÊ É UMA MALDITA VADIA VELHA E MAL COMIDA!
E, por que, de todas as garotas no mundo, ele tinha que sair com a MINHA IRMÃ?
Essa pentelha só aparece pra acabar com os meus planos! Mas tudo bem, eu ainda vou sequestrar esse cara. Ele ainda vai ser meu. Digo... Ele ainda vai ser vocalista na minha banda!
Isso acontecerá, ou eu não me chamo Murdoc Niccals!
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