segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Capítulo 4. The Art of Suicide


(Kerli's POV)
A Emilie voltou estranha do quarto dele. Será que Matt resolveu falar que seria Moonchild porque eu disse? Eu tinha que falar com ela.
– Lilie, - falei me aproximando - o que aconteceu no quarto do novato?
– Er... Nada. Nada demais Kel. - ela suspirou - Testei a memória dele. Matt pareceu lembrar de tudo, até o momento em que o sonífero fez efeito.
– Nossa, que bom - disse sem ânimo - e foi só isso?
– Foi, por que? - ela elevou a voz.
– Por nada não, mas, você voltou estranha.
– Não, Kel, impressão sua - Emilie tentou disfarçar, mas eu a conheço bem.
– Jura que está bem? - insisti.
– Sim, só que... Ele tentou me segurar e tive que lhe aplicar um sedativo para poder sair do quarto.
– Ele foi agressivo? - perguntei cética.
– Um pouco, mas nada grave que precise colocar as correntes no quarto dele novamente. Vou ver o 4º andar, Kel. Te vejo amanhã?
– Sim, claro. Carpe Noctua Plague rats!
– Carpe Noctua Moonchild Academy.
Emilie saiu e foi acordar seus ratos. Em seguida, saí e fui acordar minhas crianças para tirá-las do Instituto,mas, esta noite, não ia sair com elas. Esta noite, assim que o Instituto estiver vazio, eu vou cuidar do mais novo convidado. Vou ver o que houve com Matt esta tarde e, quem sabe, ver o que rola hoje a noite.
Acordei minhas crianças da Lua e saímos para a floresta que rodeia Waverly Hills. Avisei-os que teria que cuidar de assuntos meus e, por isso, ficaria no Instituto. Meu único aviso foi para não cruzarem os limites para a área dos Plague rats.
Fiquei atenta esperando Emilie e seus protegidos saírem. Depois de umas horas, todos saíram - menos ela. Ao que parece, a ideia de cuidar do novato não foi só minha,mas, essa praga não vai estragar meus planos. Não desta vez.
(Emilie's POV)
Kerli, como sempre, saiu com suas Moon children primeiro e foi para o lado mais claro da floresta. Acordei minhas pragas e os mandei para o nosso lado. Fiquei no Instituto, falei para meus Plague rats que precisava cuidar dos novos convidados hoje e que, esta noite, eles estariam sozinhos.
Na verdade, eu precisava falar com ele. Matt deveria estar me odiando depois desta tarde. O problema é que ele não entende. Ele pensa que somos loucos: que eu sou louca.Se ele ao menos soubesse...
Observei minhas criaturas sumirem nas sombras da floresta e tranquei as portas do Instituto. Nada poderia atrapalhar minha conversa com o Matt.
Ou melhor, ninguém.
Especialmente a Kerli.
Cheguei ao corredor dos novatos. Tirei os sapatos para evitar acordar os outros convidados, mas era inútil: eles sempre sabem quando há alguém por perto.
Com os gritos e barulhos vindo de todos os quartos, Matt sabia que alguém se aproximava. Parei na porta do seu quarto, sem saber se entrava ou fugia. Escolhi a primeira opção, sabendo que, caso algo desse errado, eu estava sozinha, sem nenhuma ajuda por perto, e o pior: sem nenhuma defesa desta vez.
Abri a porta de uma só vez e, para minha surpresa, Matt não havia se alarmado com o barulho dos outros novatos.
Ele estava dormindo.
Fechei a porta atrás de mim e fiquei observando-o dormir. Aos poucos, comecei a andar em sua direção e sentei em sua cama. Passei a mão no rosto dele e ouvi aquela voz grave e rouca murmurando algo...
VOZ? ELE VOLTOU A FALAR TÃO RÁPIDO? Isso só pode ser coisa dela: Kerli. Ela, sua bondade inesgotável e sua vontade de ajudar os outros. Odeio quando ela interfere desse jeito na vida dos outros. Só com os remédios ele estaria curado em uma semana no máximo. ODEIO OS PODERES DE CURA DELA!
E por que eu estava pensando nela? Kerli me fez um favor, isso sim. Essa voz maravilhosa de volta...
– Emilie...? - o que? Ele havia acordado e eu NÃO reparei?
Olhei para Matt e o vi bocejar. Seus olhos logo encontraram os meus e ficamos ali em silêncio por um tempo, até que ele recomeçou sua fala.
– Emilie - ele limpou a garganta - o que você está fazendo aqui?
– Vim te ver. Sua voz, ela...
– Minha voz? - ele, assustado e pasmo, reparou que sua fala havia retornado - O que você fez? - ele me perguntou.
– Nada. A Kerli tem poder de cura, não eu - confessei.
– Poder? Ah, vai começar! Moonchild, Plague rats, poderes, esse lugar... O QUE VOCÊS QUEREM DE MIM?
–Nós? O seu bem. Queremos que escolha o seu lado, que encontre o seu lugar aqui.
– E por que será que não acredito nisso? - retrucou.
– PORQUE VOCÊ É UM MALDITO CÉTICO! - berrei em resposta.
– PORRA, VOCÊS SÃO LOUCAS! Você não percebe como tudo isso é bizarro, Emilie?
– Matt, eu sei que isso é estranho, mas acredite em mim! - implorei - Puta que pariu! Você acha que eu gosto de ser assim?
– Assim como? - ele sentou na cama, me encarando.
– Matt, você não vai entender, muito menos acreditar e...
– Emilie - ele me interrompeu - fale logo.
– Sou uma súcubus.
– Uma o que?
– UMA SÚ-CU-BUS! - ao que parece, ele nunca leu sobre criaturas bíblicas, GRAÇAS A DEUS! - eu sugo a vida de pessoas, na maioria das vezes homens, para poder sobreviver.
– Então, você bebe sangue, como um vampiro?
– Não Matt - bati na minha testa - eu sugo a alma das pessoas, a essência delas.
– Como? - ele perguntou.
– Transando com elas.
Matt riu. Não acreditou em absolutamente NADA do que falei.
– Já te disseram que você é louca? - falou sarcasticamente, ainda rindo.
– Você me fala bastante isso, mas, Matt, pense: por que eu não fiz sexo com você hoje à tarde? Por que eu te sedei?
– Por que você é uma vadia biruta! CARALHO! VOCÊ NÃO VÊ O TAMANHO DAS MERDAS QUE ESTÁ FALANDO? - ele gritava fazendo gestos largos.
– Matt - comecei a chorar - esquece. Vim te pedir desculpas por hoje mais cedo, mas você não está disposto a entender. - Me levantei da cama e fui para a porta.
Com um pulo, Matt saiu da cama e me abraçou. Permaneci de costas para ele, até que seus braços me viraram e fiquei de frente para ele, encarando meus pés. Ele pôs a mão sobre meu queixo, forçando-me a encará-lo. Enxugou uma lágrima minha que caía e aproximou seu rosto do meu.
– Emilie? - sussurrou
– Hum... - me limitei a responder, fechando os olhos, me preparando para o que viria.
– Se tudo que você falou é verdade, me faz um favor?
– Claro, fale - respondi ansiosa pelo beijo dele.
 Me mata.
Abri os olhos em choque e encontrei seu olhar.
Congelei diante daquele pedido.

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