segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Capítulo 1. In Our eyes


Enquanto Noodle colocava óleo nas engrenagens da Cyborg e endireitava suas pernas, 2D e Russel tentavam ligar o submarino a qualquer custo.
– Como se liga essa merda!? - Russ olhava para todos os botões e fios coloridos espalhados pelo painel.
– Eu não sei! - Stu se encolheu no banco, com medo do grandalhão mau-humorado - Murdoc controlava tudo!
– Mas que merda de hora pra ele sumir! E que merda que voltei ao normal! Se eu ainda fosse gigante, chegaríamos ao Kong em questão de minutos!
– Eu sei como controlar. - Cyborg se aproximou dos dois, seguida por uma Noodle desesperada. - O Sr. Murdoc me ensinou a pilotar o tubarão - ela se referiu ao formato do veículo - Saia dai, faceache. Russel, sente-se no lugar dele, eu vou pilotar.
2D caiu de cara no chão, quando Russ o puxou da cadeira e tomou seu lugar como co-piloto. Noodle levantou o rapaz do chão e o colocou sentado em um dos dois bunks, voltando sua atenção em seguida para a robô.
– Cyborg-san, você sabe que não está completamente curada. Dei um jeito em quase todas as coisas, mas esse ferimento na sua cabeça... - A menina tocou o local, sentindo a cópia colocar a mão por cima da dela.
– Srta. Noodle, estou bem - Cyborg sorriu, e Noodle gelou com o ato. Apesar da tentativa de ser amigável, os traços malignos do rosto da andróide eram capazes de assustar qualquer um. - Só temos um problema: terei que recarregar.
– Você tinha um gerador daquela sua cabeça gigante, não Noods? - Russel falou.
– Tenho. Se dermos sorte, ainda está lá. - a menina ficara distante. Queria evitar aquele assunto ao máximo.
– Tudo bem - Cyborg respondeu - Russel, quero que você preste atenção em tudo que eu fizer. Dar partida e desligar o tubarão é exatamente a mesma coisa, o processo é idêntico.
Deixando os dois pilotando (ou pelo menos tentando pilotar) o submarino, Noodle sentou-se no bunk ao lado de Stu, que passou o braço pelos ombros da garota.
– O que foi, querida? - Ele fez carinho nos cabelos arroxeados da pequena.
– Não quero voltar lá, fui arrastada para o inferno naquele lugar. - ela abraçou o vocalista - Tive ótimas lembranças no Kong, mas nenhuma delas se compara ao que passei naquele buraco.
– Minha pequena, acalme-se. Nada vai acontecer desta vez, pois estaremos com você. Não posso te perder outra vez, Noodle.
Por uma fração de segundo, os olhos da garota brilharam, mas ela se lembrou da cena no quarto de Murdoc, e sua alegria murchou. Stu ficou envergonhado e se afastou da guitarrista e se encolheu no canto do bunk.
– Jura 2D-kun que você não pode ficar sem mim? - ela abafou uma risada, observando-o corar mais.
– E-eu... Senti sua falta nesse tempo. A Cyborg nunca seria capaz de te substituir. Quer dizer... Er... - ele ficava sem jeito com ela. Há muito tempo não se sentia assim.
– Eu entendi, eu acho
Noodle abriu novamente o sorriso e, tomando coragem, aproximou-se do mais velho, dando-lhe um beijo calmo e apaixonado. Não queria pensar no Murdoc nem no resto do Mundo naquele momento. Ela só queria essa chance. Esse beijo. O momento de provar para ele que Murdoc não valia a pena. Que ela era a escolha certa.
Separando-se dele, ela acariciou os cabelos azulados da nuca do rapaz, que se rendeu ao gesto e abraçou a pequena.
Os dois ainda estavam cansados, e resolveram dormir abraçados mesmo.
– 2D-kun, assim que chegarmos lá, vou fazer o ajuste na Cyborg e saberemos o que aconteceu.
– Não se preocupe com isso agora, pequena. Vamos dormir, isso não é tão importante neste momento. - dando na menina um selinho, ele fechou os "olhos" e dormiu junto a ela.
Russel, que observava a cena do seu banco, não sabia o que pensar. "Que bom que finalmente esses dois se acertaram. Será que quando Murdoc voltar continuará assim? Tudo depende de você, faceache."
Voltando a atenção para o mar, ele seguiu a viagem, com uma Cyborg descarregada, um casal mal-resolvido dormindo e uma dor de cabeça infernal. Uma hora depois, conseguiram chegar em terra firme.
Colocando a Cyborg no ombro, ele acordou os amigos e assim seguiram até o Kong. Depois de horas caminhando, morrendo de fome, eles conseguiram chegar ao lugar.
Ainda muito relutante, Noodle atravessou os portões retorcidos de metal do lugar, com Russel na sua frente e Stu ao seu lado, apertando-lhe gentilmente a mão.
Com medo de usar o elevador, eles usaram as escadas, e chegaram a porta do quarto da guitarrista. Noodle encarava a porta. "Noodle's room" ainda estava escrito ali com tinta vermelha.
– Vamos logo com isso - sussurrou para si.
Tomando coragem, ela abriu a porta de uma só vez, começando a chorar assim que processou as imagens. A parede ao lado de seu armário estava destruída, e a chuva inundava o lugar.
– Vamos abrir o armário - Russ tocou seu ombro, guiando-a até as portas de correr. Sua "cabeça gigante" não estava mais ali. Muitas coisas estavam quebradas ou fora do lugar, mas um de seus geradores estava ainda ali, intacto.
– Conecte-a ali. - ela indicou o painel e ligou o gerador.
Cyborg fez um movimento parecido com voltar a respirar, e abriu os olhos. Encarando o lugar, ela apoiou-se sobre o balcão que estava sentada e sorriu.
– Chegamos, então.
– Eu tenho que te consertar - Noodle interrompeu-a. - Mas enquanto isso, queremos respostas. O que aconteceu ontem conosco? Onde está o Murdoc?
– Calma, senhorita. O que vocês querem são duas histórias diferentes, mas relacionadas de um jeito estranho. Sentem-se pois vai demorar. - ela tomou um fôlego imaginário, imitando as ações humanas da guitarrista e reatou a falar - Que dia é hoje e que horas são?
– Dia 31 de Outubro, são oito da noite. - Russ olhou o relógio
– Então hoje começa a parte um. Temos quatro horas e dois dias até o fim.
– Fim de quê? - 2D falou, engatando no assunto.
– Fim do Mundo. Welcome to the world of the Plastic Beach.

Nenhum comentário:

Postar um comentário