(Kerli's POV)
Sentir os braços de Syn em volta do meu corpo novamente, sentir seu cheiro... Parecia que o tempo não havia passado.Mas agora, tudo mudou. Temos uma filha, fomos de lados opostos por anos e agora, ele resolve voltar e acha que pode melhorar tudo.
– Mamãe - Emma olhava para ele - O papai vai ficar com a gente pra sempre?
Olhei para ele, que sorriu em troca.
– Vou sim, pequena - ele a tirou do meu colo e voltou a segurá-la.
– Filhinha, e seus poderes?
– O lado mau sumiu, mamãe! - ela sorriu abertamente - Posso ir com você hoje mesmo!
– Que bom meu amor! - senti as lágrimas em meu rosto. - E você vai se tornar o que? - perguntei como se não soubesse a resposta.
– O que você e o papai são.
Sem esperar que ela falasse qualquer coisa a mais, abracei-a e senti a felicidade invadir cada parte do meu corpo. Durante os quatro anos de vida dela, eu esperei esse momento: poder conviver com minha filha sem ter que escondê-la dos demais por ser uma híbrida. Agora, com Brian se interessando pela criação da Emma, tudo seria mais fácil. E nós dois, sendo Moon childrens, poderíamos passar mais tempo juntos.
– Mamãe, você vai me levar agora?
– Vou amor, e você vai ficar comigo. - sorri para ela.
– E o papai?
– Eu vou com vocês.
Sem convite ou sem esperar minha resposta, Brian começou a andar com Emma no colo e eu os segui. Sem cerimônia alguma, ele entrou no meu quarto e colocou nossa filha na minha cama.
– É aqui que eu vou ficar mamãe?
– Não filha - olhei para Syn, reprovando-o por entrar sem licença aqui - Seu quarto é ali - apontei para uma porta dentro do meu quarto - vamos, minha linda?
Ela me seguiu, e Brian ficou atrás de nós. Deitei-a na pequenina cama rosada que eu havia comprado há anos e ela virou-se para dormir. Estávamos saindo do quarto e ela nos chamou.
– Mamãe, mais tarde eu posso sair com vocês?
– Pode, meu amor. - sorri e apaguei a luz.
– Papai, você vai estar aqui?
– Vou sim, minha linda.
– Promete?
– Prometo. Durma bem, até a noite, minha filha - reparei que ele falou a última palavra com esforço.
Fechei a porta do quarto dela e estávamos novamente no meu quarto, palco da nossa última briga noite passada.
– Kel, - ele falou entre soluços - me desculpe por largar vocês. Me desculpe pelas ameaças ontem, eu...
– Syn, - falei me recompondo e levantando meu rosto para encará-lo. - Você me fez muito mal nessa vida. E, ainda por cima, prometeu ferir a Emma por algo que existe entre mim e a Emilie!
– O Matt! Mas fiz isso porque a Emilie me obrigou! Você sabe muito bem disso! Você conhece o poder dela Kel...
– Sim, sei do que ela é capaz, mas eu consigo resistir! E você é o pai da Emma - me afastei e parei de gritar, lembrando que Emma estava no quarto ao lado.
– Kerli, eu sei que fiz merda, ok? Mas eu quero você de volta! E quero conviver com a minha filha. - eu o encarei - Eu não sabia como ela era, só a havia visto algumas vezes, quando te segui para poder ver o rosto dela. Mas nunca soube da personalidade dela, desse jeito cativante. Me desculpe por me manter distante por tanto tempo. Eu te amo, Kerli Kõiv.
Ele me abraçou. Meu coração se acelerou e ele deu um leve sorriso.
– Não pode fingir que não sente minha falta.
– Brian, eu não sinto sua falta. Eu tenho o Matt agora e...
– E você me troca por ele, todo romântico e meloso. Isso entedia, sabia?
– Amor não me entedia - protestei.
– Amor? Kerli, ele te conhece há dois dias! Eu te conheço há cinco anos! Com ele é só sexo. Você não ve que eu sou assim porque você não corresponde ao meu amor?
– Syn, não fale isso. Eu já te amei muito, mas, hoje em dia não. Quero alguém que cuide de mim.
– Kel, você está com raiva e está carente. Você sabe que eu quero ser esse alguém para você!
– Eu já te esqueci - menti.
– Jura? Se você esqueceu, então acho melhor lembrá-la.
Lentamente, ele colou sua testa na minha. Eu estava paralisada. Sentia sua respiração contra o meu rosto. Eu queria socá-lo e, ao mesmo tempo, queria aquele beijo, e queria logo.
Impaciente, puxei seus cabelos e o beijei. Ele tinha razão: com ele é mais selvagem. Matt sabe o que faz uma mulher ficar louca, mas o Syn,... Ele te enlouquece só com a presença dele.
Senti sua língua invadir minha boca violentamente, fazendo sincronia com a minha. Ele colocou minha perna esquerda no seu quadril e agarrou firmemente minha coxa.
Tudo estava perfeito, até eu me lembrar de que: aquele ali era o Syn.
– Brian, acho melhor não... - empurrei-o lentamente.
– Tudo bem mas, ao que parece, você lembra muito bem de mim - ele sorriu maliciosamente.
– Synyster - falei séria - vá para o 2º andar. Lá agora é o seu novo lar.
– Não posso ficar no seu quarto? - ele fez cara de cão sem dono
– Não. - continuei séria - Carpe diem
– Carpe Diem, Kerli.
Assim que ele saiu, me deitei na cama e repassei as últimas 24 horas: minha noite com Matt, as ameaças e o amor que Brian demonstrou em um curto intervalo de tempo... Pensei no beijo de minutos atrás...
Syn tem razão: Matt não me ama, só quer alguém pra transar; tanto faz se é a Emilie ou se sou eu. Mas, não vou dar a alegria que ele quer e dizer que está certo. Eu estou carente, admito, mas sei que gosto do Matt. Eu odeio o Syn, mas, segundos atrás, não seria capaz de soltá-lo.
As coisas vão ficar difíceis, mas algo me diz que o pergaminho em meu bolso tem uma solução.
Nenhum comentário:
Postar um comentário